1 - Projeto
A ideia, confesso, começou no susto. Quando abriu o edital da Lei Aldir Blanc.
Me propus a fazer uma cena curta, filmada e até aquele momento em que eu decidi me inscrever não tinha ideia alguma, projeto algum, não estava em processo nenhum...
Era final do primeiro ano da pandemia e a únicas coisas que habitavam minha cabeça eram um monte de neuras sobre o fim do mundo.
Não literalmente aquele fim do mundo dos cinemas. Mas a total decadência humana, muitas mortes, muitas, medo, tristeza generalizada e, sim, a solidão. Impedidos de sairmos de casa (de alguns), a sociedade se encontrou presa em casa por tempo indeterminado. E isso desencadeou uma série de dúvidas sobre como viver dali pra frente.
As relações entre companheiros de habitação foram postas à prova. Fossem familiares, cônjuges, amigos... tudo se intensificou e a casa, que vivia sua rotina em rodízio, se saturou.
Por outro lado surgiu a saudade. Saudade de quem estava longe e não estava ao alcance. Assuntos inacabados ficaram em suspensão. A comunicação precisou se reinventar. E nunca na história nos adaptamos tão rápido às novas tecnologias de relacionamento à distância.
Mas e se isso, essa facilidade, nos fosse tirada? Como poderíamos arranjar uma maneira de enviar nossas mensagens para quem tá distante e fora de alcance?
Por esse insight começou a faísca da história de Microondas de Rádio. Pensando que talvez a solução fosse voltar no tempo com a tecnologia, e lançar mão das transmissões de rádio para essa comunicação de pessoa para pessoa. Porém, por se tratar de uma rádio, é necessário um intermediador. Um canal, um operador, que facilite essa conexão entre remetente e destinatário.
A história é simples e conta justamente a história desse meio do caminho. A história do radialista que, se diverte apenas em botar as pessoas em contato. Não fala muito de si, não se sabe de onde vem, onde habita... apenas conecta os cabos e o resto acontece.