domingo, 15 de agosto de 2021

O Processo de feitura de Microondas de Rádio

 1 - Projeto


A ideia, confesso, começou no susto. Quando abriu o edital da Lei Aldir Blanc.

Me propus a fazer uma cena curta, filmada e até aquele momento em que eu decidi me inscrever não tinha ideia alguma, projeto algum, não estava em processo nenhum...

Era final do primeiro ano da pandemia e a únicas coisas que habitavam minha cabeça eram um monte de neuras sobre o fim do mundo. 

Não literalmente aquele fim do mundo dos cinemas. Mas a total decadência humana, muitas mortes, muitas, medo, tristeza generalizada e, sim, a solidão. Impedidos de sairmos de casa (de alguns), a sociedade se encontrou presa em casa por tempo indeterminado. E isso desencadeou uma série de dúvidas sobre como viver dali pra frente.

As relações entre companheiros de habitação foram postas à prova. Fossem familiares, cônjuges, amigos... tudo se intensificou e a casa, que vivia sua rotina em rodízio, se saturou.

Por outro lado surgiu a saudade. Saudade de quem estava longe e não estava ao alcance. Assuntos inacabados ficaram em suspensão. A comunicação precisou se reinventar. E nunca na história nos adaptamos tão rápido às novas tecnologias de relacionamento à distância.

Mas e se isso, essa facilidade, nos fosse tirada? Como poderíamos arranjar uma maneira de enviar nossas mensagens para quem tá distante e fora de alcance?

Por esse insight começou a faísca da história de Microondas de Rádio. Pensando que talvez a solução fosse voltar no tempo com a tecnologia, e lançar mão das transmissões de rádio para essa comunicação de pessoa para pessoa. Porém, por se tratar de uma rádio, é necessário um intermediador. Um canal, um operador, que facilite essa conexão entre remetente e destinatário.

A história é simples e conta justamente a história desse meio do caminho. A história do radialista que, se diverte apenas em botar as pessoas em contato. Não fala muito de si, não se sabe de onde vem, onde habita... apenas conecta os cabos e o resto acontece.



segunda-feira, 9 de agosto de 2021

A Trilogia

Bem, amigos, hoje cheguei à conclusão do formato que tô atrás: uma trilogia.

Comecei o projeto com a cena curta Microondas de Rádio. Essa cena curta foi financiada com recursos da Lei Aldir Blanc (auxilio emergencial para artistas, nesse período pandêmico). E quando entrei na Residência artística me vi na necessidade de expandir essa história, esse universo de alguma forma. 

Quis eu tratar do tema "isolamento social" no decorrer do trabalho. Passei os meses isolada, obviamente, reparando o universo ao redor. Os sons que vêm da rua, as angústias que as pessoas postam no Twitter, tudo isso para tentar entender o que acontece com o indivíduo nesse período desolador.

O curta "Microondas de Rádio" tinha como premissa, ou como justificativa, falar sobre a importância do afeto aos isolados. A importância dos laços, do contato humano.

Em Junho gravei, em Julho passei editando (devagar pois precisei de ajuda e coincidir agendas) e agora em Agosto, devo finalizar o filme.

Me orgulho do que resultou. Se considerar como foi o processo, foi um trabalho semi-solitário. Busquei ajuda em momentos pontuais, mas minha metodologia era um tanto quanto arbitrária para que eu pudesse envolver mais gente e, principalmente, eu não teria como pagá-las. Sobretudo por essa última parte, segui a criação para economizar as pessoas e seu tempo.


Onde entra a história da trilogia?


Eu tenho que continuar a Residência Artística até o final do ano, mas o curta metragem já acabou. Já foi escrito, filmado, está sendo finalizado e brevemente será lançado. E acaba o processo.

Mas a Residência continua. O que eu pretendo nessa continuação? O que mais eu posso expandir desse universo do Microondas? Vou contar que mais histórias desse radialista, desses ouvintes e, principalmente...

COM QUE DINHEIRO?

O curta foi filmado em 4K, num espaço emprestado (por um dia só) e com equipamentos de audiovisual que eu não disponho. Dar continuidade à cena Microondas de Rádio supõe também continuar com a mesma qualidade de imagem e som com que ela foi filmada. E isso, sinceramente, não tenho como bancar. 

Então resolvi que essa segunda metade da Residência, será uma série de experimentações. Em audiovisual, claro, mas com os recursos caseiros dos quais disponho. Ainda dentro da temática isolamento social essa segunda fase será uma oportunidade inclusive de aprender a parte técnica da qual sou completamente ignorante e dependente. Aprender um pouco mais sobre esse universo do vídeo e dos roteiros será o desafio.

Anteontem eu me vacinei, aliás. Apenas uma informação mesmo. A primeira dose. E com isso uma noção, não sei se acertada, de que o isolamento está perto de acabar.

O isolamento, que é o grande tema das histórias que vou contar nessa Residência, parece algo já perto do fim. Quem sabe ele acabe chegue justamente no final desses experimentos? 

Segundo semestre.

Fase nova.

O curta já foi. Mas o tema continua.


O que mais surgirá das nóias desse isolamento?




sexta-feira, 6 de agosto de 2021

O lúdico e a desesperança


Hoje me deparei com esse perfil no instagram. Um entre tantos os perfis de artesãos e marionetistas talentosos que passam de vez em quando pelo meu feed: 

https://www.instagram.com/roughpuppets/

Esse em especial, me trouxe um estado que eu havia perdido há muito tempo. Um encantamento, lúdico. Na verdade uma lembrança de quando eu sentia imenso prazer em fazer teatro. De me divertir ao ponto de sonhar em quem sabe um dia, até seguir nessa carreira. Era tão bom sonhar. E mais do que nunca há, tem havido, tenho percebido a necessidade de viver uma experiência onírica. Fantástica.
É diferente de ver um filme de fantasia na TV ou no cinema. Falo da vida e o calor que o teatro traz.
Sentir o calor do teatro, suspender a vida tão moenda e brincar apenas. Transpirar. Meu Deus quanto tempo eu não sinto isso?

Como ir atrás da 

    criança interior 

       num Brasil apocalíptico?

Como espectadora, lembro de ir ao céu vendo algumas apresentações com teatro de Objetos. Eu já era atriz, já me divertia aos montes fazendo minhas peças. Mas eu nunca tinha visto teatro de Objetos. Tive contato com teatro de bonecos do SESI Bonecos de 2007, em Manaus. Depois o evento, itinerante, foi para Roraima, onde uma grande estrutura foi montada no Parque Anauá e lá fiz oficina e assisti aos espetáculos. Um mergulho no fantástico. Uma imersão. Uma hipnose. E dias depois, já com as estruturas Q30 indo embora no último caminhão, o parque Anauá voltou a ser inóspito como sempre.

Aqui abaixo umas inspirações teatrais em forma de sites, links de grupos e profissionais do teatro de formas animadas.

http://www.garecentrale.be/

https://www.facebook.com/atarumba.marionetas/videos/239954314228685/

Em 2010 vi passar na TV o anúncio do FITO, Teatro de Objetos. E o evento passaria apenas por algumas cidades do Brasil, entre elas, Manaus.

Eu e o meu grupo nos mandamos para a capital do Amazonas onde ficamos hospedados na casa da minha tia e acompanhamos o festival todo. Era tanta coisa que nos dividimos para poder aproveitar o festival todo.

Nunca fiz uma peça com teatro de objetos.

Trabalho há quase 10 anos com teatro de formas animadas e nunca me dediquei ao teatro de objetos.

Chegou o momento.

O Processo de feitura de Microondas de Rádio

 1 - Projeto A ideia, confesso, começou no susto. Quando abriu o edital da Lei Aldir Blanc. Me propus a fazer uma cena curta, filmada e até ...